ARLS
7 DE JUNHO Nº 29

 

Jurisdicionado ao Supremo Grande Capítulo de

Maçons do Real Arco do Brasil

Rito de York

 

Natal(RN),

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Luiz Antonio Ferreira Souto dos Santos Lima

 
       
       
 

O Homem e Profissional

                Luiz Antônio Ferreira Souto dos Santos Lima, tetraneto do Sargento Mor Antônio de Souza Machado, fundador de Mossoró/RN, nasceu na terra do Primado da Inteligência, a Cidade de Assú,  antiga Vila Nova da Princesa, aos 15 de setembro da 1890.

Aos nove anos, após a morte do seu genitor, Galdino dos Santos Lima, a mãe Ana Souto Lima, sua primeira professora, movida por uma constante preocupação de instruir e educar a família,  mudou-se juntamente com os nove filhos para Natal.

Em Natal completou os estudos primários com José Idelfonso Emereciano, o famoso professor Zuza. Em seguida, ingressou no Atheneu Norte-Riograndense, onde fez o Curso de Humanidades.

Enquanto estudava, tornou-se professor interino da Escola modelo Augusto Severo. Em seguida diplomou-se professor na primeira turma da Escola Normal, fundada pelo governador Pedro Velho, e tornou-se seu professor. Natal conhecia um grande professor de Física, Química e História Natural, pois suas aulas eram famosas.

Em 1913 casou com a sua colega de turma da Escola Normal, Ecila Cortez e desta união nasceram: Luiz Antônio dos Santos Lima, Nestor dos Santos Lima Sobrinho e Olindina Cortez dos Santos Lima.

Graduou-se em Farmácia pela Faculdade de Recife, em 1919, mas o nosso patrono sonhava em ser médico, porém faltavam recursos financeiros para ingressar numa Escola Superior longa de sua terra.  Ficou viúvo em 1921 e, como era tenente farmacêutico da reserva, surgiu a idéia de voltar a ativa, indo exercer suas funções no Quartel General do Rio de Janeiro, onde encontraria tempo para estudar Medicina.

1926 é o ano de sua formatura, com a defesa de uma tese brilhante e ainda atual:  “Higiene Mental e Educação”, quando lhe foi conferido pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro o Título de Doutor em Medicina. Somaram-se aí o estilista, o educador é o médico. O cavaleiro andante de campanhas memoráveis na educação sexual, combate ao alcoolismo e combate ao tabagismo, estava formado e com destinação.

A sua tese foi uma obra de fôlego, contendo 178 páginas na qual não se sabe mais o que louvar e admirar, se os conceitos e a erudição em assuntos de tão transcendentes importância, ou, se o colorido do estilo, a beleza da forma, a clareza da exposição, revelando-se no manuseio da frase um lídimo conhecedor do idioma vernáculo. Não só um estudo de gabinete, um amontoado de citações e doutrinas, senão um repositório de dados práticos e úteis que refletem o cunho de observações pessoais, escritos em linguagem simples e amena, ao alcance de todas as inteligências.

Apesar de sua capacidade para vencer em qualquer centro adiantado do país, preferiu regressar a província para servir à sua gente que tanto ele tanto prezava e estimava. Veio se incorporar ao Hospital Miguel Couto, depois Hospital das Clínicas e hoje Hospital Onofre Lopes.

Aos pobres e aos ricos ele tratava com a mesma bondade, o mesmo carinho e dedicação. “salvar o paciente, amenizar sua dores e seus sofrimentos” era o objetivo mais relevante do profissional Luiz Antônio. Aos que o criticavam pelos modestos honorários que algumas vezes cobrava dos doentes mais pobres, respondia que não era sócio da riqueza,  nem do patrimônio do cliente. Um verdadeiro discípulo de Hipócrates, cumprindo à risca o seu juramento, honrando e dignificando a carreira que abraçara. Sempre foi um desprendido, desambicioso, visando mais às alegrias espirituais da profissão do que os proventos materiais.

Ganhou renome nacional ao ser divulgado em um programa da Rádio Nacional em que um benfeitor da humanidade era pago por benefício extraordinário com apenas um “Obrigado, Doutor!”, ficou conhecido como o médico dos pobres.

Passou a dirigir o Hospital Evandro Chagas, das doenças infecto-contagiosas que tornou-se modelo sob sua direção. Iniciou uma campanha contra o alcoolismo e o tabagismo. Organizou também a campanha de combate ao câncer, pregava o exame precoce e defendia a tese de que o mal, nos seus primórdios podia ser debelado. Movido por piedade para cuidar dos cancerosos incuráveis, aqueles que sofriam sem ter sequer o direito de um entorpecente para aliviar as suas dores nos poucos dias que lhe restavam

Era comovente o seu trabalho na Liga Norte-Riograndense contra o Câncer.  Conseguiu comprar uma hospedaria no bairro das Quintas em Natal, adaptou-a e anexou-lhe enfermarias, comprou um aparelho de raio X para diagnóstico e outro para radioterapia profunda. Não sendo suficientes os recursos federais para que recebia, lançava mão da ajuda de amigos e da benemerência de pessoas generosas que muito contribuíram para o bem estar daqueles pacientes. Levava alguns excedentes de sua casa, frutas, cereais e outros alimentos para os doentes, pelos quais tinha verdadeira afeição paternal.

Como Farmacêutico prestou serviços gratuitos no Instituto de Proteção e Assistência à Infância, hoje Hospital Infantil Varela Santiago.

Depois de 15 anos viúvo, casou-se com Dila Pena e tiveram três filhos do novo casamento: Rodolfo, Luiz Rodolfo Pena Lima e Anadila Pena Lima.

Homem de pequena estatura, maneiras simples, de riso acolhedor, destacou-se sobretudo como Professor e Médico. Mestre brilhante pela exposição correta e erudita, austero e justo, foi educador de gerações de potiguares. Sua vida constituiu um exemplo de bondade e amor ao próximo, pois era um profissional devotado aos humildes e a caridade era sua maior preocupação.

Fundou e presidiu a Associação dos Professores do Rio Grande do Norte, Diretor do Departamento de Educação; Diretor do Hospital Miguel Couto, Diretor do Hospital Evandro Chagas e do atual Hospital Luiz Antônio. Pertenceu a Sociedade de Assistência Hospitalar (Hospital Varela Santiago) Sociedade de Medicina e Cirurgia, Instituto Histórico e Geográfico do RN e Academia Potiguar de Letras. Sendo Fundador da Cruz Vermelha do Rio Grande do Norte e Professor de História do Atheneu Norte-Riograndense.

Na Faculdade de Medicina foi vice-Diretor, professor de Clínica Médica e Diretor. Convidado a dirigir o Hospital das Clínicas, aos 71 anos, faleceu vitima de um derrame cerebral em 10 de abril de 1961, no dia que devia tomar posse e quando estava atendendo um doente no pronto socorro, sendo aí atribuídos dois grandes prêmios pela bondade divina: um deles foi o de morrer sem dor, sem sofrimento, e sem angústia e o outro foi o de tê-lo surpreendido no momento em que desempenhava suas funções no nobre exercício da medicina, como uma recompensa àquele que viveu como um lutador incansável a combater o mal e fazer o bem. Morreu no campos de batalha aos sons dos clarins da luta, como morreram grandes heróis, sempre na defesa dos seus sublimes ideais.

No dia 11 de abril de 1961, sai de sua residência na rua Campos Sales 682 - Tirol, para o cemitério do Alecrim, o corpo de Luiz Antônio acompanhado de grande massa popular, de representantes de instituições que participou, do governador do estado, prefeito da capital, desembargadores, juízes, deputados, vereadores e outras autoridades, voltou a terra com o pesar, tristeza e a saudade de todos aqueles que durante a vida do Mestre desaparecido, aprenderam a respeitá-lo e amá-lo.

O Político

Era inimigo implacável dos regimes de tirania e de força, e de qualquer outro que fosse atentatório à liberdade e à dignidade humanas. Não perdia o ensejo de combater os regimes de Ditadura. Durante a revolução constitucionalista de São Paulo, em 1932, viajando pelo interior do Estado, desenvolveu uma forte propaganda em prol daquela revolução que ele, como bom democrata, apoiava com todo o vigor de suas convicções.

Naquele tempo, o então interventor, cumprindo apressado as ordens da ditadura, tendo conhecimento daquela propaganda, que era feita aberta e corajosamente, mandou prender Luiz Antonio e encarcerá-lo incomunicável durante onze longos dias. Mesmo assim continuava ele dentro da prisão com seu verbo contundente e a coragem que nunca lhe faltou, a criticar abertamente a ditadura daquele interventor e elogiar a causa de São Paulo.

Apaixonado por política, no entanto teve árduos reveses. O feitio de seu caráter não se coadunava com as transigências desonrosas. Sendo desambicioso e leal não podia ter bom êxito na política. Candidato a Deputado Federal pelo Partido Popular, que era naquele tempo o partido de oposição a ditadura, enfrentou corajosamente, com risco da própria vida, a sanha criminosa dos bandoleiros e fascínoras recrutados em outros Estados, e postos aqui na nossa terra à disposição do então interventor para que não se perdesse as eleições.

Apesar daquele clima de insegurança, de crimes e sevícias que nos envergonha e reponta como uma nódoa negra e inapagável na nossa história política, e tudo isso propiciado pela ambição desmedida daquele famigerado interventor e de seu chefe de polícia que se desmandaram em violências para ganhar as eleições, Luiz Antonio não recuou um só momento para servir ao seu partido e às liberdades de nosso povo oprimido e vilipendiado.

Seus dons tribunícios excepcionais, a opulência de sua linguagem e o fascínio eletrizante de seu verbo a serviço da propaganda eleitoral de seu partido empolgavam as multidões e eram um chamamento cívico para derrotar aquele regime de desgraça e terror. Contra o cangaço, a polícia e, infelizmente, até a justiça eleitoral deste Estado, seu partido venceu.

Entretanto Luiz Antonio não se elegeu. Apesar de sua atuação tão decisiva e sua contribuição tão eficiente para a vitória do partido, a história dessa derrota eleitoral é um exemplo sem par de decência e lealdade partidárias. Naquele tempo, a Lei Eleitoral permitia que se elegesse com os votos de legenda somados aos votos avulsos, mas os votos avulsos nos dado por correligionários e amigos não contavam para o partido. Esse processo que daria certamente ao candidato um resultado favorável, talvez pusesse em risco o triunfo de suas hostes. Luiz Antonio gozando de muita simpatia e tendo as melhores relações possíveis com muitos chefes políticos de seu partido, poderia muito bem ter se aproveitado deste expediente legal para se eleger, como outros o fizeram.

Entretanto, o amor ao seu partido e o desejo de derrotar aquele regime de opressão estavam acima de seus interesses pessoais. Aconselhou aos seus amigos e correligionários sufragarem o voto de legenda e não lhe darem votos avulsos, pois, não lhe interessava ser eleito arriscando a vitória de seu partido. E foi por essa atitude de elegância e fidelidade partidária, desprendimento e desambição que não conseguiu atingir o coeficiente para se eleger.

O Maçom

     Na Maçonaria foi estrela de primeira Grandeza, aos 21 anos de idade, o jovem Luiz Antônio recebera a verdadeira luz, na certeza de com o seu perfil moral, espiritual e intelectual, enquadrava-se perfeitamente dentro dos princípios Filosóficos e Doutrinários da Maçonaria.

     A sessão de Iniciação se deu no Templo de Benemérita e Benfeitora Loja Capítular Evolução II, na Rua da Conceição, 04 - Cidade Alta - no dia 10 de agosto de 1911.

     Na Evolução II, fundada em 18 de agosto de 1906, o irmão Luiz Antônio ocupou os cargos de Secretário Adjunto, Chanceler, 1º Vigilante, Orador e Venerável Mestre por duas vezes, tendo sido agraciado com o Título de Orador Perpétuo em 17/10/1941, foi ainda Deputado Federal, junto a Soberana Assembléia Legislativa do Grande Oriente do Brasil, Secretário de Delegacia Regional do GOB para o Rio Grande do Norte de 1913 a 1956 e Delegado do Grão-Mestre Geral do GOB (equivalente ao Grão-Mestre Estadual de 1956-1957). Foi redator do Jornal Maçônico “O Oriente” que era considerado a expressão máxima da Maçonaria. Iniciado na Evolução II, Benemérito das Lojas “Filhos da Fé”, “21 de Março” e fundador da “Padre Miguelinho”, estas eram as quatro Lojas existentes em Natal.

Leal, sincero, culto, nobre e altivo, marca de seu caráter na vida profissional, acadêmico e familiar, foram os mesmos traços básicos de seu caráter, que nortearam a sua trajetória na maçônica, preenchidas somente de feitos que enalteceram  a nossa sublime ordem e que até hoje é motivo de orgulho para todos nós.

Ao ser conduzido à sua futura notada a maçonaria do Rio Grande do Norte, atendeu o pedido do maçom Luiz Antônio, que os Irmãos Maçons o acompanhassem até a sua última morada, glorificado pelos ritos e cerimôniais maçônicos e o seu sepultamento foi efetuado com pompas fúnebres.

Atendendo a súplica do também Maçom Luiz da Câmara Cascudo em seu Livro “O Templo e Eu” onde destaca “Na limitação provinciana de nossa geografia intelectual, Luiz Antônio foi uma legitimidade patrimonial, uma ação, um esforço, uma potência verbal, um educador, um clínico, uma bondade em serviços ao otimismo, como sua herança cultural não se materializou na relação das possibilidades pessoais, cabe a nossa geração, aos seus contemporâneos, a defesa, a guarda a vigilância ao nome, para que não se apague na lembrança do futuro” e nós colocamos mais fogo nesta CHAMA SAGRADA QUE FOI LUIZ ANTÔNIO.

 

 
     
     
 
       
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